Lesões musculares e atividade fisica

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As lesões musculares estão entre as queixas mais comuns no atendimento ortopédico. Ocorrem tanto em atletas como em não atletas. São consideradas como desafio para os especialistas, haja vista a lenta recuperação que afasta o atleta das atividades, as frequentes sequelas e a recorrência das lesões. A maior parte das lesões musculares ocorre durante atividade desportiva, correspondendo de 10 a 55% de todas as lesões esportivas.

A maioria das lesões ocorre por alongamento excessivo ou trauma direto no ventre muscular. Podem ser causadas por contusões, estiramentos ou lacerações. Nas lesões grau I ocorrem danos de apenas algumas fibras musculares com pequeno edema e desconforto, sem nenhuma ou mínima perda de força e restrição de movimentos. Não é possível palpar-se defeito muscular. Apesar de a dor não ser incapacitante, a manutenção do atleta em atividade não é recomendada devido ao grande risco de agravar a lesão. As lesões grau II provocam um dano maior ao músculo com evidente perda de função. É possível palpar-se um pequeno defeito muscular (gap) no sítio da lesão, e ocorre a formação de um discreto hematoma local dentro de dois a três dias. A evolução para a cicatrização costuma durar de duas a três semanas e o paciente pode retornar à atividade física de forma lenta e cuidadosa. Uma lesão estendendo-se por toda a sessão transversa do músculo e resultando em virtualmente completa perda de função muscular e dor intensa é determinada como lesão grau III. A falha estrutural muscular é evidente, e a equimose costuma ser extensa, situando-se muitas vezes distante ao local da ruptura. O tempo de cicatrização desta lesão varia de quatro a seis semanas. Este tipo de lesão necessita de reabilitação intensa e por períodos longos de até três a quatro meses. O paciente pode permanecer com algum grau de dor por meses pós-tratamento da lesão.

O diagnóstico da lesão inicia-se com uma história clínica e exame físico. Exames de imagem (ultrassonografia e ressonância magnética) são usados para definição diagnóstica e determinar a gravidade da lesão. Recentemente a termografia (técnica que consiste em estudo da musculatura por alterações térmicas) tem se mostrado útil em alterações não anatômicas (fadiga muscular, por exemplo).

O tratamento imediato para a lesão muscular é conhecido como princípio PRICE (Proteção, Repouso, Gelo (Ice), Compressão e Elevação). Existem poucos e controversos estudos sobre antiinflamatórios e glicocorticoides no tratamento de lesões musculares. A aplicação do plasma rico em plaquetas (derivado sanguíneo do próprio paciente enriquecido por plaquetas) nas lesões grau II e III acelera a cicatrização e reduz o tempo de tratamento, possibilitando o retorno do paciente a suas atividades em menor tempo, sendo um protocolo válido e eficiente. Novos tratamentos estão sendo pesquisados e desenvolvidos como uso de células tronco e câmera hiperbárica. Aquecimento e alongamento ativo e passivo antes dos treinos têm sido postulados como estratégias de prevenção de lesões; no entanto, há poucas evidências sobre estas atitudes e se realmente diminuem a incidência de lesão muscular.
 
Dr. Flavio freire - CRM 6944-PA
Especialista em Diagnóstico por Imagem e Medicina Esportiva
Membro do Departamento Médico do Paysandu Esporte Clube
Membro da Comissão Nacional dos Médicos de Futebol (CBF)

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